A soberba nos deixa ensurdecidos para a voz de Deus

 

³¹ E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já estava na espiga, e o linho na haste. ³² Mas o trigo e o centeio não foram feridos, porque estavam cobertos. 

-Êxodo 9:31,32


Reflexão

Novamente o Senhor instruindo Moisés a confrontar Faraó com a ordem divina: libertar o povo de Israel para que pudesse adorá-Lo no deserto. Mais uma vez, Deus anuncia o que faria caso Faraó persistisse em sua resistência, e cada anúncio vinha acompanhado de uma revelação crescente do poder, da santidade e da soberania de Deus.

1. A praga sobre os animais (vv. 1–7)

Deus declara que enviaria uma pestilência severa sobre o gado dos egípcios — cavalos, jumentos, camelos, bois e ovelhas — mas faria distinção entre os egípcios e o Seu povo. Assim acontece: os animais dos egípcios morrem, enquanto nenhum dos israelitas é atingido, mesmo assim, Faraó endurece o coração.

2. A praga das úlceras (vv. 8–12)

Moisés e Arão lançam cinza do forno ao ar, e ela se torna úlceras purulentas sobre homens e animais.
Nem os magos, antes tão confiantes, conseguem sequer permanecer diante de Moisés. Contudo, o coração de Faraó permanece fechado, conforme o Senhor já havia previsto.

3. A tempestade de saraiva (vv. 13–26)

Deus envia Moisés novamente para advertir Faraó:

“Para isto te mantive: para mostrar em ti o meu poder.” (v. 16)

Deus anuncia chuva, fogo e saraiva jamais vistos no Egito. Os que temiam a palavra do Senhor recolheram servos e animais; os que ignoraram foram destruídos. A saraiva cai com violência, devastando campos, árvores e pessoas — exceto na terra de Gósen, onde o povo de Deus estava protegido.

4. O arrependimento superficial de Faraó (vv. 27–30)

Assustado, Faraó confessa pecar e suplica a Moisés que ore. Moisés ora, a tempestade cessa…E, Faraó volta a endurecer o coração.

Os versículos 31-32, explicam a razão prática pela qual linho e cevada foram destruídos, enquanto trigo e centeio não foram:
  • O linho e a cevada já estavam maduros — logo, foram destruídos pela saraiva.

  • O trigo e o centeio estavam mais verdes, ainda protegidos pelas folhas — e sobreviveram.

Aplicação Espiritual

Assim como o trigo e o centeio estavam cobertos, nós também permanecemos guardados quando estamos debaixo da cobertura de Deus:

  • Na sombra do Onipotente encontramos refúgio.

  • O que é precipitado e exposto, como o linho e a cevada maduros, facilmente se perde.

  • O que espera o tempo certo, a maturidade certa, permanece guardado.

Essa expressão do texto mostra que Deus não apenas julga, mas também sabe preservar aqueles que confiam nEle e se mantêm debaixo da Sua direção.

O coração endurecido de Faraó 

Mesmo vendo o livramento, a restauração e a misericórdia após a oração de Moisés, Faraó volta a endurecer o coração. Isso nos ensina que:

  • O orgulho torna o coração insensível.

  • A soberba nos deixa ensurdecidos para a voz de Deus.

  • Quando tentamos ocupar o lugar de Deus, achando-nos autossuficientes, nos afastamos da graça e nos aproximamos do juízo.

  • Temer ao Senhor não significa medo, mas reverência, humildade, submissão e reconhecimento de que Ele é o Criador e nós somos apenas criaturas.

Ele é...
  • Todo-Poderoso, capaz de enviar juízo.

  • Justo, fazendo distinção entre Seu povo e quem O rejeita.

  • Misericordioso, respondendo à oração de Moisés.

  • Soberano, usando até mesmo a rebeldia de Faraó para manifestar Sua glória.

E nos lembra que estar cobertos, escondidos sob Suas asas, é o lugar mais seguro que existe — assim como o trigo e o centeio foram preservados no dia da tempestade.

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